Até quando as chamas resistem aos sopros
[rinogas confuso][http://rinogas.blogspot.com] se for assim tadeu, pra que estar no poder se quem manda é o sistema?
10/12/2004 12:11
Rinogas, sua questão pode descambar em grande confusão se não soubermos diferenciar, entre nós, que seja, o que tomamos por poder e sistema. È que nos acostumamos a representar instâncias de representação social como platôs de mando. Assim, paira a sugestão de quem ocupa cargos eletivos tudo pode, como que por mágica. Ou ainda, quem ocupa esses cargos teria, junto ao dito sistema, alguma persuasão capaz de rupturas, etc.
Entretanto, parece-me que essa é apenas uma das faces daquilo que podemos tomar por poder. Fundamental nesses dias, para garantir processos mais participativos de decisão sobre encaminhamentos administrativos. Mas acho que a política urge nos instantes e neles diz mais do que temos conseguido vir a ser. Melhor dizendo, de como conseguimos estar do jeito que estamos. Uma equação que não se conta, devido à multiplicidade das forças que se efetuam nela. Foucault entende essa disposição como uma microfísica desses exercícios.
Quando o Maikel diz que o sistema tem fendas, talvez se refira a isso. Eu poderia não estar lhe respondendo, mas estou. A que se deve? Racionalmente ou objetivamente, não sei explicar. Mas estamos aqui, a construir relações, como numa praça, numa rua, numa casa, etc. Como se isso fosse o que de melhor sabemos fazer. Essa disposição modifica muitos paradigmas que para a modernidade ocidental foram e são muito caros. Mas foram edificados fronte ao vento da vida que sopra e diante das muralhas, envereda-se em frestas e assobia, como se dissesse; não adianta esconder-se. Pois bem, esse é um sentido e o tal sistema jamais estará imune ao sopro dos ventos. Abraços
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 19h17
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debatendo.debatendo.debatendo.debatendo.debatendo
Sobre ovos, vícios, alianças e dolares
Acompanhando a conversa sobre o uso que se pode fazer de ovos nesses tempos, desconfiei de uma percepção estranha que podemos estar reproduzindo, talvez sem perceber. Pelo tom do texto, já viram que eu estou quase a pisar em ovos. Adiante.
É que vejo o PT ser acusado de quase tudo nos últimos tempos. E aí, a referência não vai além da minha percepção. Daquilo que vejo, escuto, cheiro, essas coisas. Por isso, essa é uma questão limitada, necessariamente e também por isso, sou aqui absolutamente parcial.
Pois bem, quem tem sido mais conservador o PT ou os seus críticos? A evidência aponta para os críticos, já que a evidência anunciada pelos próprios críticos é de que o PT teria mudado muito “no poder”.
Aí então cabe discutir, creio, não o PT, seus críticos ou mesmo o uso dos ovos. Talvez seja melhor nesse momento escancarar (sempre achei que esse verbo no infinitivo daria um bom nome para um CD do Skank – skankarar – que talvez até já exista) percepções e sentimentos, sejam revolucionários, rancorosos, de esperança, de decepção ou de medo.
Aqui vão os meus: percebo na parcialidade que meus sentidos permitem, muitos equívocos na administração do Brasil, mas a cada um deles, sinto-me de alguma maneira cúmplice. Teria os praticado também, pois são comuns a arte de quem joga um jogo viciado. Assim tem sido a macro-política nacional, desde 1500 d.C.
Hoje na Folha de SP, vejo o Boris Fausto construir raciocínio dizendo que a vitória do Serra diz de uma maturidade eleitoral. Historiador renomado empresta sua memória ao engodo, a empulhação ao afirmar isso, pois processos eleitorais dizem pouco da racionalidade cartesiana. Falam mais da preservação do umbigo, da capitalização dos ressentimentos e da disponibilidade financeira. O vício do jogo que o capitalismo branco efetua com maestria.
Assistimos ao PT jogar dados também viciados, fazendo alianças antes inimaginadas. Sarney, ACM e outros pilantras. Mas o que você faria se lhe fosse permitida apenas uma oportunidade de mostrar capacidades num jogo já sabidamente viciado?
Mino Carta relembra na edição dessa semana de sua Carta Capital, que a reeleição de FHC custou ao Brasil US$ 45 bilhões. Mesmo com o dólar despencando, “é dinheiro que gente besta não conta”. Talvez aí esteja um grande problema. Vamos penar, vamos cuspir, vamos...
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 09h56
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